FELIZ ANO NOVO MEUS AMIGOS


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DEZEMBRO






Chegou Dezembro e com ele a nostalgia do meu sentir. Hoje, dia 8 faz precisamente 43 anos, que levei a maior reviravolta da minha vida e, que acabaria, por me marcar para sempre.
Parece que foi ontem e, tenho tudo tão gravado, que ás vezes penso que o tempo não passou. Estou a ver a minha avó, deitada a dormir(pensava eu) lembro-me que na minha inocência abanei-a para ela acordar... ouço um silêncio, que me grita, que qualquer coisa aconteceu, mas ninguém me dizia nada.
Vejo o meu avô a chorar e eu impávida pensava porquê?
Sinto levarem-me á força sem uma palavra.
Mas o que mais me marcou, foi sair do quarto com a minha avó deitada na cama e quando voltei, ao entrar, tinha tudo desaparecido. No lugar da cama existia, então o seu ultimo leito e que a levaria, para não mais a ver.
Foi o primeiro contacto que tive com a morte. Lembro-me de olhar á minha volta e, quase não conhecer onde estava. Olhei o relógio de letra romana parado nas 18,30 e perguntei porquê. A avó nunca o deixava parado.
Foi na hora que ela partiu a um Domingo. Quando foi para a levarem, mandaram-me dar-lhe um beijo. Estava tão fria. Aquela não era a minha avó sempre tão cheia de calor e de pele tão macia.
Durante anos parecia sentir no rosto aquele frio, que me atormentava a alma.
Os anos passaram. Deixei de sentir o frio, fui lutando com a saudade, adormecendo a dor e adoçando o sentir.
Sei que passados 20 anos ás 18,30 e a um Domingo tive uma grande alegria. Nasceu a minha princesa. Nessa hora olhei para o relógio e lembrei-me do de letra romana.
Ironia ou não hoje, embora sinta saudade não me consigo lembrar do rosto da minha avó. Dela ficou a saudade, o dia e a hora e um relógio de letra romana que jamais esquecerei.
O mês...é o mês de Natal e também aquele em que vim ao mundo.
Nada é eterno na vida. A saudade só enquanto vivemos, mas as recordações, essas, ás vezes se esfumam...

Feliz Natal meus amigos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ESPREITEI À MINHA JANELA



Espreitei à minha janela
Me acenou a nostalgia
Depois passou a alegria
Num sorriso de criança

Nos olhos levava esperança
Nas mãozitas uma flor
Que cuidava com amor
Não fosse a mesma partir

E sempre, sempre a sorrir
Se me abeirou da janela
Me deu a florinha singela
Com um brilho no olhar.

Abri-a de par em par
Aquela janela minha
Para entrar a florinha
Misturada com a brisa

E na hora mais precisa
Entrou também o luar
Veio a minha flor beijar
Com seus pézinhos de lã

Acordei, era manhã
E quando fui a olhar
Estava a flor e o luar
A dormir no meu divã.

terça-feira, 20 de julho de 2010

DEI-TE O MEU LIVRO VELHINHO



Dei-te meu livro velhinho
Para tu o desfolhares
Trata-o pois com carinho
Mas abre-o devagarinho
Para não o estragares

Está velho e descorado
Pois perdeu a sua cor
Quem leu, não teve cuidado
Pois deixou-o amargurado
Não o tratou com amor

Lê nas pétalas da ilusão
As mágoas do meu sentir
E junto ao meu coração
Em montes de confusão
Os meus sonhos por abrir

Na parte escura e fria
Está guardada a solidão
Mistura as letras, varia
Forma a palavra alegria
E dá-lhe o calor de verão

E num canto amarrotado
Qual papel sem valor
Está meu amor, apagado
Sem calor amargurado
Á espera de ti amor.

terça-feira, 1 de junho de 2010

DIA DA CRIANÇA


Imagem tirada do google


Criança que moras na rua
Não te deram p'ra escolher
Uma família só tua
E uma casa p'ra viver

Não te deram o amor
Os afagos e carinhos
Só te deram foi espinhos
Desalento, fome e dor

Mataram a tua luz
Com guerra e sofrimento
Só te deram, o tormento
O ódio e a tua cruz

Caminhas já sem esperança
Mas tua alma te diz
Que devias ser criança
Com direito a ser feliz

E a todas, lá no fundo
Que têm e não dão valor
Ponham os olhos no mundo
E vejam o sofrimento profundo
De quem não tem, pão nem amor.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

NO MEU JARDIM DE QUIMERA



No meu jardim de quimera
Eu plantei doce ilusão
Depois, eu fiquei á espera
E agora que é Primavera
Fui vêr, que doce emoção

Nasceu um lírio singelo
Encostado a uma rosa
Um cravo tão amarelo
Como o sol, lindo e belo
E uma violêta formosa

Uma hortência encarnada
Papoilas,azáleas,jasmim
E uma túlipa tão corada
Parecia envergonhada
De estar a olhar p'ra mim

Nasceu também uma cravina
Jacintos, um amor perfeito
Uma dália pequenina
Parecia uma menina
A baloiçar-se no leito

E assim com tantas flores
Neste jardim do meu peito
Talvez lavem minhas dores
Me enxuguem meus clamores
Se forem regadas direito

Mas se acaso esquecer
De as regar com carinho
Não voltarão a nascer
E meu jardim vai morrer
Na secura do caminho.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sonhos




Lavei minh'alma de esperança
E fui secá-la num rio
Torci as minhas lembranças
E embarquei-as num navio


Perdi a minha razão
O sono e o meu sentir
Beijei as pedras do chão
E fiz as estrelas dormir


Calei a boca á saudade
Á dor e ao sofrimento
Aboli, tanta maldade
E dei voz ao pensamento


Pintei o céu de mil cores
O vento de azul marinho
E os sonhos dos amores
eu fui deitá-los nos ninhos


E quando os passarinhos
Fossem de novo voar
Mandavam os seus filhinhos
Espalhar esses sonhinhos
P'ró mundo inteiro sonhar.